Existe vários caminhos para se chegar a Roma, diz o ditado popular. Pois é, diferentemente de Hugo Chavez que optou pelo golpe de estado amparado pela força e pela manipulação esdrúxula do legislativo e do judiciário em seu país, o nosso "estadista" aqui não teve a ousadia de utilizar os mesmos métodos que seu vizinho e amigo, e enfrentar a nação e o estado de direito para se perpetuar no poder.
Bem mais comedido e melhor assessorado que seu colega colombiano, buscou a legitimidade para idealizar um golpe de estado que não pudesse ser contestado por seus opositores. Para isso, levou oito anos de seus dois mandatos, arquitetando e executando manobras políticas e ações ilegais para consolidar o seu plano de manter-se indefinidamente no poder.
Para fortalecer sua estratégia fingiu-se de surdo e de desavisado, enquanto seus seguidores -- e por que não dizer "companheiros" --, mais próximos buscavam na ilegalidade, o financiamento do seu projeto político e pessoal, utilizando recursos públicos, para consolidar um esquema de corrupção nunca visto na história deste país.
Quem não lembra o esquema do mensalão, da utilização da maquina para atender fins obscuros do partido, do próprio e dos seus. Tudo isso esta na mídia e é do conhecimento da nação e dos poderes constituídos, entretanto é como se nunca estivera. Por muito menos do que vem sendo feito, a nação, exemplarmente, cassou um presidente em nome da ética e da moralidade.
É bom lembrar, contudo, que nada do que vem feito pelo nosso "estadista" é realizado ao acaso. No embalo das medidas populistas muito bem utilizadas por seu governo, e que lhe renderam uma sólida confiança da nação, esta traçada a estratégia do golpe branco onde a companheira Dilma é peça fundamental.
Ela exercerá durante os próximos quatro anos um mandato de transição para assegurar mais oito anos ao nosso "estadista", ou seja, já que a constituição é empecilho para a perpetuação de seu mandato, e como manobrar no sentido de modificá-la foi opção descartada durante seu atual governo, pois foi percebido que conduziria a uma reação desgastante com seus opositores, então a nobre senhora foi a alternativa encontrada para dar a legitimidade a mais dois mandatos posteriores ao seu.
Dessa forma, legalmente ninguém poderá contestar que o retorno do nosso "estadista" não se deu por via democrática, e é verdade, a ação é democrática porém não deixa transparecer as manobras sujas e ilegais que consolidaram a criação de sua imagem perante parte da opinião pública, principalmente aquela que é a maior parte da população, formada pela plebe ignara, que por ser mantida excluída de educação e cultura, não tem capacidade de reflexão.
Dentre as referidas manobras as menos espúrias são as que tem elevado apelo populista, tocadas pelos programas oficiais de largo alcance e dirigidas às populações de baixa renda, e também de baixo discernimento para entender que são utilizadas como massa de manobra a implementação da estratégia desse golpe branco tão bem conduzido pelo governo lula.