domingo, 6 de novembro de 2011




O MILAGRE DA DIVISÃO: ISSO É POSSÍVEL NO PARÁ?


A divisão é uma operação matemática que serve para fracionar e seu significado varia de acordo com a destinação que se queira dar a ela. Cheguei a essa conclusão a partir da pesquisa que fiz sobre o termo e de onde pude absorver sinônimos -- ainda que existam outros tantos por ai -- tais como: compartilhar, distribuir, partilhar, partir, repartir, separar que servem para atender diversos objetivos, dependendo do fim que se queira atingir.


No caso da divisão do Estado do Pará, cujo plebiscito para definir se este será fracionado nos estados de Carajás e Tapajós, fato que ocorrerá no próximo dia 11 de dezembro deste ano, essa operação deve ser avaliada com muita cautela pois os interesses que estão por trás dessa propostas vão muito além do que uma simples divisão de território.


Aliás, não há comprovação técnica ou científica de que qualquer divisão traga benefício para as partes fracionadas, se assim fosse eu até abraçaria essa idéia. Entretanto, no caso do Estado do Pará a divisão esta sendo defendida em nome da ausência do Estado nas suas regiões Sul e Oeste, o que não é suficiente para entregar a parte mais rica do território a aventureiros que se instalaram no espaço paraense e agora acham que podem criar seu próprio Estado, isso sem considerar que a riqueza do Pará é historicamente dos paraense e que, portanto, não pode ser alijada dos benefícios das recentes descorbertas, como o níquel, o ouro, a bauxita, o caulim, etc.


A divisão proposta é uma piada de mau gosto pois o Estado do Pará ficará com apenas 17% do total do seu território, e pior que isso e que essa fatia não deixa para o Estado nenhuna reserva das riqueza acima citadas, o que fica são terras degradas no Nordeste Paraense, bolsões de pobreza criados por populações expulsas das regiões sul e oeste pelos grandes projetos e instaladas nos municípios da região metropolitana do Estado, sendo Belém e Ananindeua as mais prejudicadas. Ou seja, a divisão proposta e que iremos votar no dia 11 tenta separar o "file mignon" da "Carne de Pescoço", aqui representados pelas regiões Sul/Oeste e Norte/Nordeste do Estado, respectivamente.


Votar "sim" no dia 11 significa entregar de bandeja aos aventureiros que se instalaram a menos de 50 no Estado, principalmente na região sul e sudeste do nosso território, a fatia mais rica do nosso patrimônio, e deixar na área mais miserável a maior parte da população paraense. Dessa forma, os impostos e os "royalties" decorrentes da venda de nossas riquezas (madeira, minérios, potencial hídrico) iriam beneficiar somente aqueles que ontem aqui chegaram, expulsaram a nossa população através de um processo agressivo de ocupação e agora se intitulam herdeiros da terra paraense.


Quem for paraense deve dizer Não à divisão, afinal isso só interessa e beneficia a eles. Entretanto, que essa tentativa também abra os olhos de nossos governantes que precisam entender que o Estado deve se fazer presente em todo o território paraense, e isso é possível. Como ? Basta discutir com a sociedade que aparecerão várias alternativas, é só tentar.

domingo, 1 de maio de 2011

ESCANDALO DA ASSEMBLÉIA: Indignados estamos nós...

O Presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Pará - ALEPA, Deputado Manoel Pioneiro, em materia de capa da edição do jornal " O Liberal" do mês passado, manifestou sua indignação com a quebra do sigilo bancário das contas vinculadas à folha de pagamento do Legislativo, autorizada pelo Poder Judiciário, à pedido do Ministério Público estadual, em função das deslavadas falcatruas e roubalheiras do dinheiro público, promovidas de longa data naquela Casa.



Confesso que não entendi o motivo da manifesta indignação do atual Presidente da Assembléia Legislativa. Indignado estou eu, está o povo paraense e o povo brasileiro com tamanha orgia promovida por políticos desonestos e corruptos, que ocupam o Poder de um órgão que deveria dar exemplo de lisura, e que no entanto deixam fluir uma sujeira sem tamanho, cuja origem ninguém quer revelar e os responsáveis ninguém quer apontar, pois essa revelação pode trazer a tona os esquemas de roubalheira que atingem uma grande parte dos parlamentares paraenses.

Ao invés de questionar a liminar concedida pela justiça para a quebra do sigilo bancário da ALEPA, visando apurar o esquema de desvio de dinheiro público, via folha de pagamento, não seria o caso do Presidente apoiar essa decisão e viabilizar com sua base parlamentar a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI, que vem sendo dificultada pelos vários partidos de sustentação do atual governo?


Tudo leva acrer que não há interesse da ALEPA em aprofundar as investigações que vem sendo conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Creio que pra provar que há transparência por parte da atual gestão, essa deveria apoiar a abertura da CPI, como forma de tornar mais limpido o processo de desvio do dinheiro público promovido pela quadrilha de bandidos que se instalou na Assembléia, principalmente na gestão do ex- presidente Domingos Juvenil, que de juvenil nada tem, é profissional na arte de desviar verba pública para sí e para seus asseclas.


Essa maracutaia na folha de pagamento é bem antiga e o Ministério Público já deve ter conhecimento do seu funcionamento, esta consiste basicamente em produzir uma folha de pagamento para compor o processo de prestação de contas, omitindo a folha de pagamento efetivamente transmitida para a instituição bancária para fins de pagamento dos servidores, esta sim a verdadeira folha de pagamento, que abriga as falcatruas e que nunca é cotejada com a primeira. Esse cotejamento revela a sacanagem realizada com o dinheiro público, inclusive os "laranjas" utilizados pelos trambiqueiros.


A Indignação manifestada pelo Presidente da ALEPA substima a inteligência da opinião pública, pois tenta encobrir através da pseuda invasão de competência das esferas de Poder, a pergunta que não quer calar. Quem são os responsáveis pela roubalheira na folha de pagamento e quais as providências para apurar, revelar e punir os responsáveis por esse crime contra o erário. Nós é que estamos indignados com a postura passiva da ALEPA na apuração de fatos tão graves que envolvem servidores e uma parcela da classe política de nosso Estado.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A Dilma não tem mesmo noção ..

Uma vergonha nacional, é assim que pode ser classificada a decisão da Presidenta Dilma Rousseff -- enquanto preparava um omelete no programa "mais Você" da apresentadora da Rede Globo Ana Maria Braga -- em conceder um reajuste médio no Programa Bolsa Família da ordem de 19,4% sobre os benefícios, que começam a ser pagos a partir de abril do corrente ano.

Não foi o que aconteceu com o aumento do Salário Mínimo homologado recentemente pela referida senhora.

Na rota de seu antecessor a Presidenta pressionou o Congresso, usando todo tipo de argumento e o rolo compressor de seus aliados, principalmente o PMDB, para no fim conceder um aumento chorado, minguado no salário mínimo, um pouco acima de míseros 6 (seis)% para 2011.

Entretanto, não foi o que se viu no célere aumento concedido aos beneficiários do Programa Bolsa Família. Em tempo recorde ela não exitou em promover cortes de toda natureza no orçamento deste exercício, cancelando concursos e investimentos tão necessários ao desenvolvimento do país, para viabilizar um reajuste considerável no maior Programa eleitoreiro mantido pelo Governo Federal

É uma vergonha, é um descalabro esse tratamento que o governo petista dá a classe trabalhadora. Enquanto o trabalhador, que é responsável pela geração da riqueza nacional tem o fruto de seu trabalho aviltado pelos patrões, pelo fisiologismo da maioria da classe política e pelo governo, a Presidenta Dilma Rousseff presenteia o ócio e a improdutividade com a parcela do excedente do trabalho apropriado da classe trabalhadora por seu governo, via tributos.

Um reajuste dessa natureza num Programa que não produz nada, como é o Bolsa família, só vai contribuir para o crescimento da massa de miseráveis deste país, que vive no limite da linha de pobreza, e que agora tem como certo que parindo a torto e a direito ira elevar a renda concebida pelo Benefício, sem ter noção de que diretamente estará contribuindo para o surgimento de uma geração, marginal, improdutiva e sem futuro.

A profecia Malthusiana nunca esteve tão próxima de se concretizar neste País como agora. Se não for estabelecido políticas para o conter o crescimento da população nas classes de mais baixa renda, teremos esse crescimento contido através de "controles naturais", ou seja, como previa o sábio economista do século XVIII, através da peste, da fome e da guerra. E isso já se observa pelas estatísticas que medem as mazelas sociais que afligem o país nas áreas de saúde, de educação, de preservação ambiental e principalmente de segurança pública.

É preciso que fique claro que não há nada contra os programas sociais que visem resgatar a dívida histórica do capital em relação ao trabalho. Agora, não dá para engolir que haverá redistribuição de renda em um país onde os governantes mantém na piramede da redistribuição 1% da população (cerca de 19.000 pessoas), detendo o controle de quase 50% (metade) de toda a riqueza gerada pelo País. E, notem, que esses poucos privilegiados pouco contribuem no processo de redistribuição. Afinal, alguém já teve notícia de banqueiro contribuindo proporcionalmente com os seus lucros.

Na realidade quem contribui mesmo para manter o Bolsa Família é a classe média, que tem a maior carga tributária do planeta incindindo sobre seus rendimentos e ainda é obrigada a manter milhões de miseráveis que serão os seus algozes no futuro. Aí esta a vergonha.....