O MILAGRE DA DIVISÃO: ISSO É POSSÍVEL NO PARÁ?
A divisão é uma operação matemática que serve para fracionar e seu significado varia de acordo com a destinação que se queira dar a ela. Cheguei a essa conclusão a partir da pesquisa que fiz sobre o termo e de onde pude absorver sinônimos -- ainda que existam outros tantos por ai -- tais como: compartilhar, distribuir, partilhar, partir, repartir, separar que servem para atender diversos objetivos, dependendo do fim que se queira atingir.
No caso da divisão do Estado do Pará, cujo plebiscito para definir se este será fracionado nos estados de Carajás e Tapajós, fato que ocorrerá no próximo dia 11 de dezembro deste ano, essa operação deve ser avaliada com muita cautela pois os interesses que estão por trás dessa propostas vão muito além do que uma simples divisão de território.
Aliás, não há comprovação técnica ou científica de que qualquer divisão traga benefício para as partes fracionadas, se assim fosse eu até abraçaria essa idéia. Entretanto, no caso do Estado do Pará a divisão esta sendo defendida em nome da ausência do Estado nas suas regiões Sul e Oeste, o que não é suficiente para entregar a parte mais rica do território a aventureiros que se instalaram no espaço paraense e agora acham que podem criar seu próprio Estado, isso sem considerar que a riqueza do Pará é historicamente dos paraense e que, portanto, não pode ser alijada dos benefícios das recentes descorbertas, como o níquel, o ouro, a bauxita, o caulim, etc.
A divisão proposta é uma piada de mau gosto pois o Estado do Pará ficará com apenas 17% do total do seu território, e pior que isso e que essa fatia não deixa para o Estado nenhuna reserva das riqueza acima citadas, o que fica são terras degradas no Nordeste Paraense, bolsões de pobreza criados por populações expulsas das regiões sul e oeste pelos grandes projetos e instaladas nos municípios da região metropolitana do Estado, sendo Belém e Ananindeua as mais prejudicadas. Ou seja, a divisão proposta e que iremos votar no dia 11 tenta separar o "file mignon" da "Carne de Pescoço", aqui representados pelas regiões Sul/Oeste e Norte/Nordeste do Estado, respectivamente.
Votar "sim" no dia 11 significa entregar de bandeja aos aventureiros que se instalaram a menos de 50 no Estado, principalmente na região sul e sudeste do nosso território, a fatia mais rica do nosso patrimônio, e deixar na área mais miserável a maior parte da população paraense. Dessa forma, os impostos e os "royalties" decorrentes da venda de nossas riquezas (madeira, minérios, potencial hídrico) iriam beneficiar somente aqueles que ontem aqui chegaram, expulsaram a nossa população através de um processo agressivo de ocupação e agora se intitulam herdeiros da terra paraense.
Quem for paraense deve dizer Não à divisão, afinal isso só interessa e beneficia a eles. Entretanto, que essa tentativa também abra os olhos de nossos governantes que precisam entender que o Estado deve se fazer presente em todo o território paraense, e isso é possível. Como ? Basta discutir com a sociedade que aparecerão várias alternativas, é só tentar.
Fora quem lucraria diretamente com a divisão do Estado, só quem tiver uma mentalidade oblíqua e tacanha poderia votar a favor de tal absurdo.
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